Após atingir pico, nível do Rio São Francisco deve baixar nos próximos dias

A força da cheia do Rio São Francisco tem deixado os ribeirinhos felizes e ao mesmo tempo preocupados. Há anos que o rio vem apresentando assoreamento severo e cheias irregulares, afetando principalmente os produtores rurais de vazantes.

Em 2020 o rio chegou a subir 8 metros de altura, em virtude das fortes e históricas chuvas na região de Minas Gerais. Decorrente disso, a vazão do rio até a barragem de Três Marias alcançaram níveis recordes, atingindo no dia 13 de março 96% da capacidade. Estes números fizeram com que a barragem de Sobradinho também melhorasse seu nível, alcançado pouco mais de 56% da sua capacidade.

O pico da cheia em Bom Jesus da Lapa foi entre os dias 12 e 13 de março, enquanto que no distrito de Gameleira da Lapa, município de Sítio do Mato, o rio atingiu seu maior nível entre os dias 13 e 14 de março. Já Paratinga foi entre os dias 14 e 15 de março, de acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

Os dados são frutos da intensa vazão que o rio vem tendo ao longo do seu percurso, passando por diversas cidades. Somente de janeiro até o dia 13 de março a vazão média em metros cúbicos/segundo em Bom Jesus da Lapa elevou-se em mais de 6 vezes, em Morpará este número foi 5 vezes maior.

A forte cheia tão desejada por parte significativa da população teve momentos de apreensão com a possibilidade da cheia ser muito maior que a esperada. Moradores de ilhas e produtores rurais foram os mais apreensivo, já que os mesmos possui risco de evacuação de áreas e retirada urgentes de animais.

Em Bom Jesus da Lapa, a vista área mostrou a chegada do rio próximo ao cais da cidade, algo que não acontecia há muito tempo. Em Sítio do Mato, precisamente no distrito de Gameleira da Lapa, obra inacabada do Governo Federal não resistiu ao aumento da vazão e desabou. Em Paratinga, a imagem das águas do Velho Chico chegando no porto da cidade são as marcas da cheia de 2020.

Em nota à redação do Gamela News sobre a obra no distrito de Gameleira da Lapa, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do Rio São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF) afirmou que a autarquia “já tomou as devidas providências com o envio de técnicos da Companhia e da Cerb [Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia] para vistoriar a área e avaliar os próximos procedimentos”. Ainda em nota, a CODEVASF reafirma que “a equipe técnica dos dois órgãos já repassou orientações à Prefeitura Municipal de Sítio do Mato quanto às ações emergenciais de manutenção para evitar maior afundamento do calçamento e realiza estudos para o início imediato do processo de recuperação da área”.

Quanto a manutenção do nível do rio, a notícia é que cheia deve reduzir seu avanço nos próximos dias. Com base em informações da Agência Nacional de Águas (ANA), a redução esperada do nível do rio será na casa dos 20% após o pico de 8 metros da cheia em Bom Jesus da Lapa. Este nível ainda depende do volume de chuvas na região de Minas e da liberação de água das comportas da Usina de Três Marias.

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