Quadro da Agropecuária de Sítio do Mato ainda é desafiador, revela Censo do IBGE

Município considerado de terras férteis e de abundante disponibilidade de recursos hídricos, Sítio do Mato tem apresentado dificuldades para se desenvolver pela via da agropecuária. Os períodos de estiagem podem responder em partes, mas a não profissionalização pode ser a principal causa para o baixo desenvolvimento da atividade no município, segundo alguns especialistas consultados.

A produção de subsistência e baixa utilização de tecnologias modernas são os principais fatores que inibem a produtividade das propriedades e a quase inutilização pelos produtores da assistência técnica e entre outros recursos produtivos. A situação é que poucas fazendas ou a grandes propriedades dominam o volume de produção e também da geração dos poucos empregos formais do setor.

De acordo com o Censo Agropecuário 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município de Sítio do Mato possui 1.370 estabelecimentos rurais em seus território. Desses, cerca de 56% dessas propriedades ainda não possuem título definitivo da terra, o que é considerado empecilho para uma melhor utilização dessas áreas.

Aproximadamente 90% das propriedades rurais do município produzem para consumo de subsistência, sendo que a principal fonte de renda do produtor é originária desta produção incipiente, o que configura uma renda baixa e instável. Outra fonte de renda dos produtores é a aposentadoria rural e os programas do governo, mantendo a persistente dependência do governo.

 

Com sua característica familiar, pouco mais de um quarto da população do município (3.446 pessoas) está diretamente envolvida (ocupada) nas atividades desses estabelecimentos. Apesar desse contingente ser significativo, os resultados podem não ser tão positivos, em razão baixa formalidade e escolaridade no campo.

Entre os produtos agroindustriais produzidos no município destacam-se aqueles derivados da mandioca (farinha e tapioca) e também do leite (queijo e requeijão).

Cabe destacar também que mesmo tendo um contingente de técnicos agrícolas, agrônomos e estudantes da área agropecuária no município, apenas 138 estabelecimentos receberam algum tipo de assistência técnica, o que representa apenas a 10% do total de propriedades assistidas. Assistência essa que é fundamental para o planejamento e prática no campo.

Complementando a deficiência técnica, somente 16 produtores possuem tratores em suas propriedades, sendo que pouquíssimos utilizam meios ou formas modernas de preparo do solo. As máquinas são o símbolo do avanço da produção no campo brasileiro, o que não vem acontecendo no município.

Outro número que chama a atenção é o baixo nível de associação dos produtores e a inexistência de cooperativas no município, um quadro de alerta para os ganhos e das vantagens da escala e de comercialização da produção.

O quadro do município no setor é preocupante, exceto para algumas grandes propriedades, pois existe um nítido envelhecimento dos produtores, sem uma evidente melhoria no comando da propriedade, tendo a produção de subsistência com baixo nível tecnológico como carro chefe da atividade.

A maioria dos especialistas consultados relatam que existe uma clara necessidade de formação de associação de produtores e cooperativas para melhorar o poder de articulação desses, cujo foco seja o aumento da produtividade, obtenção de recursos financeiros e técnicos, além de negociação e comercialização dos produtos em escala.

Por outro lado, os governos (Federal, Estadual e Municipal) precisam agir urgentemente com assistência técnica de forma objetiva e clara, focando o conhecimento, capacitação e práticas modernas, de modo a tornar acessível a estes produtores os recursos financeiros e tecnológicos necessários ao desenvolvimento, assim como o próprio governo faz e se empenha para o grande agronegócio, através de Bancos Públicos e instituições de pesquisa de ponta.

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