Rio São Francisco está contaminado com os rejeitos da Vale, alerta Fundação SOS Mata Atlântica

A triste notícia veio após pesquisadores da Fundação SOS Mata Atlântica atestarem piora na qualidade da água, na vida aquática e no entorno do rio. O relatório saiu no dia que se comemora o Dia Mundial da Água, 22 de março.

A informação foi dada após a expedição da equipe entre o rio Paraopeba até o Alto São Francisco, de que trechos do rio já encontra-se contaminado com rejeitos da barragem Córrego do Feijão, da Vale, rompida no dia 25 de janeiro, em Brumadinho (MG).

Na análise, a organização afirma que “o trecho a partir do Reservatório de Retiro Baixo, entre os municípios de Felixlândia e Pompéu até o Reservatório de Três Marias, no Alto São Francisco, está com água imprópria para usos da população.” A região pesquisada fica no Estado de Minas Gerais.

Entre as não conformidades estão a turbidez (redução da transparência) da água acima do limites legais estabelecidos pela Resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), para qualidade da água doce superficial. Outros indicadores que estavam acima do permitido foram das concentrações de ferro, manganês, cromo e cobre, o que evidencia o impacto da pluma de rejeitos de minério sobre o Alto São Francisco, destaca os pesquisadores.

Fica claro que a situação poderia estar pior, já que foi identificado que o Reservatório de Retiro Baixo está segurando boa parte do volume dos rejeitos. E, por fim, os pesquisadores concluem que “apesar das medidas tomadas no sentido de evitar que os rejeitos atinjam o rio São Francisco, os contaminantes mais finos estão ultrapassando o reservatório e descendo o rio e já são percebidos nas análises em padrões elevados.”

Nossa equipe tentou buscar informações sobre como o governo baiano está atuando para prevenir os ribeirinhos da Bahia dos riscos apontados, não foi encontrada nenhuma informação. Fica evidente que o governo baiano concentra seu quadro, recursos e atuação dos seus órgãos no monitoramento ambiental de poucos municípios, principalmente Salvador, capital, e Região Metropolitana.

Ao mesmo tempo, outra equipe buscou mais informações junto a Secretaria Nacional de Saneamento, do Ministério do Desenvolvimento Regional, sobre o nível de monitoramento da qualidade água distribuída nos sistemas de abastecimento de água dos municípios da região, e a resposta foi preocupante.

De acordo com o órgão, somente os municípios de Bom Jesus da Lapa, Ibotirama, Muquém do São Francisco e Serra Dourada realizam análises laboratoriais da turbidez da água. O primeiro município citado é operado pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) do município, enquanto que os demais são operados pela Empresa Baiana de Água e Saneamento da Bahia (Embasa).

Neste caso, diante desse agravante ambiental que está afetando o Rio São Francisco a situação é amplamente mais preocupante nos municípios de Sítio do Mato, Paratinga e Barra, uma vez que a população desconhece ou não se realiza testes de qualidade da água distribuída, tornando difícil perceber mudanças nos recursos hídricos captados.

 

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